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Ser leitor de um livro é poder estar fora do tempo e do espaço movendo
apenas páginas de papel. E com Flávio Carneiro, leitor de chamas e
escritor de cristais, embarcar numa história, a mais bela do mundo, é
uma aventura em que, a cada linha, você se pergunta quando foi que
passou por ali antes e aonde vai levá-lo a pirlimpsiquice em que se
meteu. Ao entrar no jogo da leitura com ele, você recorda a cena e
tenta montar, como num quebra-cabeças, personagens familiares que se
mesclam na memória entre realidade e ficção.
Na delicadeza esmerada das imagens que arrastam para a infância dos
lápis de cor, no imaginário de Flávio e de Daniela Galanti, a
narrativa expõe silenciosamente a textura literária feita a quatro
olhos e interminável enquanto vida houver. Releitura é um modo de
convidar o passado ao presente e celebrá-lo, sem medo de subverter ou
restaurar algo para o futuro. A escrita, seja em letras, seja em
traços, em verdade, é a entrega que um leitor faz a outro, de suas
histórias inesquecíveis.
Eliana Yunes
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